ANO JUBILAR DOS PADRES TEATINOS NO BRASIL ( 1951-2001) A VINDA DOS TEATINOS PARA O BRASIL Depois da restauração da Ordem Teatina com as medidas tomadas pelo papa Pio X, em 1910, Os Teatinos prosseguiram prosperando lentamente até que sob o pontificado de Pio XII sentiram a necessidade de se expandirem em terras de missão. Precisamente o papa Pio XII recomendava aos religiosos se abrirem mais para as missões ad gentes. Pensando que o Brasil, depois dos Estado Unidos da América do Norte, o México e a Argentina, seria uma boa opção para suas atividades expansionistas, aproveitaram o convite do Arcebispo de Botucatu, D.Henrique Golland Trindade, OFM, que precisamente durante as celebrações do ANO SANTO de 1950 visitava a Cúria Geral dos Teatinos em Roma, e fizeram disso pretexto para aceitar o honroso convite daquele prelado. Depois das tratativas iniciais entre aquele arcebispo e o Prepósito Geral, Pe: João Llabrés, CR, também com o Pe: Vigário Geral, Pe: Julian Adrover, CR, acertaram o dia da viagem para os primeiros missionários: eram eles o Pe: Francisco de Lucia, Pe: Lineu Maria Bincelli e o Irmão Coadjutor Gabriel Mesquita; chegaram em Santos em 17 de maio de 1951, sendo acolhidos calorosamente por assessores do Arcebispo. Estes foram Os pioneiros da fundação teatina no Brasil, que me breve se constituíram numa Delegação ligada a Província Teatina "Do Menino Jesus" da Itália, cujo Provincial era o Pe: Antônio March, CR. Os missionários teatinos ficaram cerca de 42 dias em regime de "aclimatação", junto dos padres da Consolata em São Manoel-SP. Depois desse breve período de "inculturação" vieram para a paróquia de Nossa Senhora das Dores; eram acompanhados pelo então Vigário Geral da Arquidiocese, Mons. José Melhado Campos; o dia em que receberam posse da paróquia era 01 de Julho de 1951. Esta data ficou na história dos Teatinos em terras brasileiras como o marco do início de suas atividades.A 17 de janeiro de 1952 chegava outro sacerdote proveniente da Itália, o Pe: Salvador Badame.Depois, em 1960, precisamente a 26 de agosto chegaram os padres Gabriel Dárida e João Ferreti para se encarregar do trabalho vocacional que logo daria seus primeiros frutos; iniciaram o 1º Seminário Menor Teatino no Brasil no dia 20 de fevereiro de 1961. Depois em terreno parcialmente doado pelos senhores Sebastião Garcia e João Bianchi, e com a aprovação do Sr. Arcebispo construíram o prédio atual do Seminário dedicado a São Pio X, e que foi inaugurado em 25 de março de 1965...Encontra-se no Arquivo Provincial em Fartura uma pasta contendo a documentação acerca dessa fundação teatina no Brasil. Já em 11 de outubro de 1951 o Pe: Julianus Adrover, Vigário Geral dos Teatinos solicitava em carta em Latim ao Exmo. Sr. Arcebispo licença para erigir a Casa Religiosa em Fartura; Outro documento o Conventio qua Paroecia..., com o protocolo nº 9953 o "Episcopo Botucatuensi concedia a paróquia de Fartura aos Teatinos em regime "Pleno jure ad nutum Sanctae Sedis", em data de 14 de novembro de 1952. Isso significa que tal paróquia fica entregue definitivamente aos Teatinos, isto é, somente saem quando decidirem; não podendo ser trocados por outros párocos.Com "Rescrito" protocolado sob nº. 9832/51, de 01/12/1951 a Sagrada Congregação dos Religiosos autorizados a ereção canônica da Casa Religiosa em Fartura que levaria o nome da paróquia, ou seja, Nossa Senhora das Dores. Cópia do referido documento traz conjuntamente a aprovação do Prepósito Geral Pe. Loannes Llabrés, CR em data de 4/12/1951.Consta também um "Rescrito" da Sagrada Congregação dos Religiosos, protocolado sob nº 3803/58 com data de 17/03/1958 que concede definitivamente a paróquia de Fartura aos Teatinos e que foi assinado pelo Pe: Pallazzini, subsecretário e E. Addivinola, Ad.a studiis. Somente, então, é que o Pe. Francisco de Lucia deveria aceitar a paróquia definitivamente em nome da Ordem Teatina; antes o era em caráter provisório, conforme carta do Pe. J. Adrover, CR, de 14/08/58. Aconteceu que houve um erro na burocracia curial romana, já que a Sagrada Congregação do Concílio não havia sido notificado; e sem a aprovação de referida Congregação, o Ato jurídico da Congregação dos Religiosos ficava invalido. Foi preciso decorrer cerca de 7 anos para corrigir esse erro! E pensar que o Pe. Francisco de Lucia não percebera o engano. Sobre os progressos nos trabalhos vocacionais alguém escreveu o seguinte: "Atualmente, podemos dizer que os Teatinos se encontram em notável progresso no campo vocacional"."Caminhando assim, com a Luz do Espírito Santo, com a proteção de Maria Santíssima, do nosso Pai São Caetano e do nosso patrono São Pio X, num futuro bem próximo haverá um grande número de sacerdotes teatinos saídos daqui desta sementeira que é o Seminário São Pio X e de outros seminários de nossa Ordem espalhados pelo mundo, mas unidos pelo Amor Fraterno"( Cf. Histórico da Ordem dos Clérigos Regulares Teatinos; texto datilografado elaborado pelo noviço Eugênio Ferreira de Lima, em 1979. Bibliografia: "Os clérigos regulares – teatinos", 25 anos de apostolado no Brasil.(Fartura), 1976, 27pp. 14 DE SETEMBRO - SOLENIDADE DA SANTA CRUZ FUNDAÇÃO DA ORDEM DOS CLÉRIGOS REGULARES - PADRES TEATINOS (1524) A CRUZ COMO SÍMBOLO E EMBLEMA Um Escudo como Consignação: A cruz Desnuda"Os Clérigos Regulares nasceram como um hino desprendido da Cruz"- este é o título dado por chiminelli ao capítulo 17 de sua obra sobre São Caetano.O historiador de nossa Ordem, o Pe: José Silos, descreveu, num dia de grande inspiração, a glória e a significação da cruz na ordem teatina. E o fez na sonoridade de uma dicção latina tão perfeita que seus ecos soam como os discursos arrebatadores de Cícero no Senado romano. Esta jóia da nossa literatura deve ser lida necessariamente em latim. Contudo, tentaremos aqui uma tradução impossível que retenha a força e o esplendor da maravilhosa forma original:"Não existem dias tão solenes e significativos como o do nascimento de nossa Companhia. A decisão de funda-la foi tomada na festa da Invenção da cruz, e procurou-se fazer coincidir sua feliz e realização com o dia da gloriosa Exaltação da Cruz. A Cruz acolheu em seu regaço a nossa Companhia apenas nascida. E era justo que nascesse em tão absoluta como a de Cristo na cruz, que pregava a mortificação da cruz, e que parecia tornar a descobrir e a exaltar a Cruz, a reistaurar a austera forma de vida apostólica em uma nova família clerical.Não posso resistir à tentação de citar aqui aquela famosa alegria que São Justino coloca em sua primeira Apologia: "A Cruz é o maior e mais poderoso símbolo. Porque não se pode cruzar o mar, se este troféu de vitória, que nele se chama vela, não se mantiver firme no navio. Sem ela, não se pode arar a terra com arado; nem os cavadores ou artesãos levam a termo sua obra, se não for com instrumentos que têm esta figura. E a própria figura do homem só se distingue da forma dos animais irracionais, porque pode ficar erecta, pode estender os braços e elevar, partindo da frente, a proeminência do nariz, através da qual se verifica a respiração do animal e que não mostra outra coisa, senão a figura da cruz.E ainda, vossas próprias insígnias, colocam em evidência a força desta figura, falo de vossos estandartes e de vossos troféus de vitória, com os quais são realizados por toda parte vossas marchas, mostrando os sinais do império e do poder, ainda quando o fazeis sem intenção disto"."Longe de mim o gloriar-me senão da cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo".( Gal.6,14).A Cruz sintetiza, portanto, o programa de ação dos primeiros grupos de teatinos. Nestes momentos da reforma católica italiana – escreve Llompart – ( e algo parecido acontece do outro lado dos Alpes com a Theologia crucis de Martinho Lutero), pregar a Cruz; rezar equivale a rezar diante da Cruz; o viver cristamente é equivalente a viver pregados na Cruz". A Cruz, além do síntese do programa de uma vida apostólica, é símbolo da confiança na Providência: todo recurso é esperado do Pai do Céu. É a exegese viva do sermão da montanha. "Ninguém pode servir a dois senhores. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro...Buscai primeiro o reino de Deus e sua justiça"(Mt.6, 24e33), do evangelho que se lê na missa de São Caetano. Na fachada da Igreja de São Caetano, em Florença (1680), ao lado do brasão teatino da Cruz estão duas mulheres; uma simboliza a pobreza ( o despreendimento) e a outra, a confiança em Deus. Concluindo: a Cruz estava plena de significado programático entre os fundadores. A Cruz como "jugo de Cristo", ou "jugo da obediência", a espressão "abraçar a Cruz desnuda", ou "estamos pregados na Cruz", que aparecem no texto de Colli e , sobretudo, na exposição de programa que é feita ao candidato Marco AntônioFlaminio, sintetizam plasticamente o projeto teatino. E é bem notável que o Pe: Carafa considere que ela resume todo o conjunto da vida religiosa. Escrevendo a sua irmão Maria, a fundadora da Sapiência de Nápoles e grande panegirista da Cruz,, fala assim, referindo-se a futura religiosa: "Eu a tenho advertido para que venha desponjada de todas as coisas do mundo, sozinha e desnuda, com a Cruz desnuda, para ser verdadeira escrava de Cristo". Para se ver corretamente qualquer candidato a teatino, é preciso vê-lo como vai o primeiro postulante, o espanhol de La Lama, que já citamos: "Quero me esforçar para seguir o Crsito desnudo, junto com eles, até a morte". E aquele sacerdote que conviveu como os teatinos nos primeiros dias de Roma, João Maria de Cortesis, advinhou naqueles homens da Crus a dupla vertente de seu programa e de seu escudo, o desprendimento – a radical pobreza – e a confiança em Deus providente: "Nós, pobres de tudo, desnudos de qualquer recurso próprio, vivemos aqui amore Dei"..
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